Em tempo: chacinas tem vitimado mais moradores de rua nas grandes capitais. Perguntamos: qual a razão para tanto desprezo e violência? Quem acompanhou o noticiário das últimas semanas sabe bem do que se trata. Chamamos então a esta reflexão, publicada no informativo do mês de abril.
Nos últimos dias, vimos notícias sobre maus tratos a moradores de rua. O Ministério Público abriu, nos últimos três anos, cinco inquéritos contra a Guarda Civil Metropolitana de São Paulo, em função das trinta denúncias registradas pela Associação Rede Rua. Segundo informações do site G1.com.br, é competência da Guarda Civil diminuir e evitar a presença de pessoas em situação de risco nas vias e áreas públicas da cidade (sic).
Em Porto Alegre, um morador de rua foi agredido a pauladas na madrugada do dia 15 de abril. Populares chegaram a acionar o Samu, mas a vítima não resistiu aos ferimentos e morreu, de acordo com o site do jornal Zero Hora.
Tivemos no início do mês de abril um caso de repercussão nacional, também ocorrido em Porto Alegre, quando outro morador de rua amanheceu pichado (fato sob suspeita, segundo a Polícia gaúcha) e alegou ter levado um “banho” de urina, sendo alvo do vandalismo alheio.
Ora, a situação de rua é delicada e exige maior atenção aos problemas sociais do nosso país. Primeiro, precisamos entender o que está acontecendo. Existe um passado de decepção e/ou abandono, fazendo com que a pessoa encontre seu refúgio no silêncio da solidão. A partir do momento em que a rua se torna uma saída, perdem-se todos os parâmetros de uma vida de respeito e dignidade.
Após entendermos o problema, é preciso que haja enfrentamento. Mas não pela violência, pelo simples descaso ou mesmo pela via das drogas. Junto estes três fatores porque são os mais comuns quando recebemos notícias como as mencionadas acima. O abuso de autoridade também representa um grande fator de risco.
Vemos que há solução para este problema, que aflige centenas, milhares de pessoas por todo o país. O enfrentamento começa com ações coletivas, caso de instituições como a Cidade Refúgio em Minas Gerais, Missão Vida em Goiás e Associação Amigos da Rua em Pernambuco.
A união de forças é fundamental. Mesmo por ações pequenas, como a de grupos que se reúnem para levar não apenas roupas e comida, mas sim um pouco de afeto a quem dorme em praças ou debaixo de marquises.
É ótimo refletir sobre este tema. Ótimo porque é uma grande oportunidade de pensarmos no ser humano e nas relações que temos com o nosso próximo. E quando renovamos nosso pensamento, conseguimos abrir frentes para mudarmos a maneira de viver em nossa cidade.

Vanderlei Pires, 35, amanheceu com o corpo pintado na Sexta-feira Santa em Porto Alegre (RS). Casos de maus tratos a moradores de rua são comuns nas capitais do país.